Encontrei um nódulo adrenal em meu exame de imagem. O que fazer?

Nódulo adrenal acima de 1 cm de diâmetro pode ser achado nos exames de tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) realizados, na maioria das vezes, por outros motivos e não para avaliação das glândulas adrenais e, nesses casos, o nódulo adrenal é denominado incidentaloma, sendo mais frequentemente encontrado em idosos, em portadores de obesidade, de hipertensão e de diabetes. As características do nódulo adrenal podem sugerir benignidade ou não e os exames laboratoriais de sangue e urina informam se o nódulo é não funcionante ou produtor dos hormônios cortisol, aldosterona e catecolaminas.

Nódulo adrenal sugestivo de benignidade na TC apresenta gordura, densidade homogênea, borda lisa, diâmetro menor que 4 cm, localização unilateral, valor de atenuação na escala Hounsfield abaixo de 10 HU e washout rápido do contraste. Na avaliação por RM, observa-se isointensidade em T1 e T2, evidência de conteúdo lipídico e washout rápido do contraste.

Encontrei um nódulo adrenal em meu exame de imagem. O que fazer?

Feocromocitoma na TC apresenta vascularização da massa aumentada, valor de atenuação na escala Hounsfield acima de 20 HU e  washout lento do contraste. Na avaliação por RM, pode apresentar alteração cística e hemorrágica, intensidade de sinal elevada em T2, tamanho variável e bilateralidade.

Carcinoma adrenal na TC apresenta borda irregular, densidade não homogênea por necrose tumoral, pode haver calcificação, diâmetro usual acima de 4 cm, localização unilateral, valor de atenuação na escala Hounsfield acima de 20 HU e washout lento do contraste. Na RM, há hipointensidade em T1, intensidade elevada ou intermediária em T2 e pode haver invasão local ou metástase.

Metástase de outros tumores para adrenal na TC apresenta margem irregular, não é homogênea, há tendência à bilateralidade, valor de atenuação na escala Hounsfield acima de 20 HU, realce ao contraste intravenoso e washout lento. Na RM, há isointensidade ou é menos intensa em T1 e intensidade de sinal elevada a intermediária em T2.

A maioria dos nódulos adrenais é benigna e o acompanhamento é o mais indicado, portanto, sempre que possível, deve-se preservar as adrenais porque essas glândulas produzem os hormônios aldosterona, catecolaminas, cortisol e esteroides sexuais. No caso de nódulo adrenal acima de 4 cm, embora a maioria seja benigna, remoção cirúrgica é recomendada, principalmente em jovens por causa da possibilidade de malignidade. Além do tamanho, as características da imagem, alterações do tamanho do tumor e os exames laboratoriais ao longo do tempo são parâmetros que orientarão o tratamento.

Outras massas nas adrenais são os cistos, a hemorragia e o mielolipoma facilmente identificados por causa das características da imagem.

Por causa da complexidade da interpretação dos exames de imagem e dos exames laboratoriais, é importante consultar o endocrinologista para orientação adequada.

 

Dra. Maria de Fátima de Magalhães Gonzaga

Endocrinologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília. Especialista em Clínica Médica, com experiência na área de Medicina Interna. Atualmente, é responsável pelo ambulatório de diabetes mellitus e pelo ambulatório de endocrinologia geral do Hospital Universitário da Universidade de Brasília. Atua como preceptora de ensino e coordenadora da Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia na mesma instituição.

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Artigo publicado em 5 de outubro de 2018. Para ler mais textos sobre saúde, acesse nossa página de artigos.